“A verdade é que eu já disse que iria te esquecer por diversas vezes, já tentei iludir a mim mesma com a ideia de que meu amor por você era só uma simples admiração, mas acontece que já estou começando a desistir de negar isso a mim mesma, a pura verdade é que eu gosto mesmo de você, eu penso em você, imagino cenas de quando a gente se encontrar novamente, e não adianta eu tentar negar.“
— Distanciarei.
“Esses dias, naquelas dinâmicas bobas, me perguntaram o que eu queria da vida. Fiquei pensando, refletindo, e pra falar a verdade… Eu quero tudo. Um amor de verão, outono, inverno e primavera. De todos os anos, pra todos os anos. Quero viajar pelo mundo, adotar quatro filhos e dezenove gatos. Quebrar alguns ossos e rir de como fiz isso. Abraçar um desconhecido, ganhar na mega-sena, dormir direto por uma semana, fazer tudo o que ainda não fiz e querer tudo o que não tenho ainda. Na verdade este querer tudo é uma carência camuflada. Eu só quero ser feliz. Não quero um amor clichê, não quero problemas, nada disto, só quero mesmo é ser feliz. Acordar e ver o sol nascer, passar o dia todo ao lado de quem eu amo, e ir além, sempre além. Pensar no que eu planejava quando era criança, e me tornar mais do que um adulto rabugento porque os planos e as vontades não se realizaram como queria. Na verdade eu só quero ir ser feliz, mais feliz por qualquer motivo, por todas as realizações, ser feliz inclui quem sabe você. É, quem sabe, porque eu não vou negar, que quero me fazer feliz primeiro, para depois te fazer feliz. Quero que você tenha alguém de mim completa, que não tenha medo, nem anseios, e que seja alguém sem problemas ao lado teu. Quero também uma vida inteira contigo, algo que inclui felicidade completa, que inclui vida boa, vida feliz. Quero apenas te levar ao céu, te trazer ao paraíso, mais para isto devo ter tudo que quero ter. E sei que isto, isto no fim não vai importar. Não vai importar como vou fazer meus sonhos, ou de que maneiras vou completar a minha vida, mais que vai importar ser feliz ao lado teu. Ser feliz com as tuas características, tuas manias, tuas bobeiras, e também ser feliz com um nós. Teremos tudo, mais com uma pitada especial de felicidade, porque o meu tudo se torna você, e não o resto, porque o que vier para mim está bom se eu ter você.“
— Mentes Expostas.
“Então eu peguei um papel, uma caneta e escrevi sobre você. Escrevi sobre tudo, sobre as coisas que você gosta, as que te deixa triste, bravo, as que você não suporta e as que te faz ficar com um sorriso lindo de orelha à orelha. Escrevi sobre suas músicas preferidas, sobre nossos momentos juntos, os sorrisos que você arrancava de mim, as lágrimas e aquele tempo todo que eu tive você na minha vida. Foi aí que vi que ninguém te conhece mais do que eu. Escrevi sobre a sua partida também, e uma lágrima caiu. Você tem problema, caralho? Não pode vir e ir embora toda hora, você acha que eu não tenho sentimentos? E mesmo estando com raiva, você sabe que eu te amo pra porra por isso se aproveita. Peguei a folha e preguei no mural de fotos do meu quarto. Fiquei duas horas escrevendo sobre você, mas a folha estava apenas com uma palavra escrita. Eu resumi uma vida em uma palavra: saudade.“
— Desapiedar.
“Você nunca foi do tipo de me trazer flores, de falar coisas fofas, de dizer que eu sou linda mesmo estando horrível, pelo contrário, você não me dava muitos presentes, nem se declarava para mim, e mesmo assim, eu te amava com todas as minhas forças, pra mim pouco importava presentes ou mimos, eu só queria ter você.“
— gabi and john.
“Ah, ela ensina as tochas a brilhar! Parece estar suspensa na face da noite, tal qual joia rara na orelha de uma etílope; beleza incalculável, cara demais para ser usada, por demais preciosas para uso terreno!” .
Disse Romeu ao ver pela primeira vez Julieta, tive tempo o suficiente para ler alguns trechos do livro enquanto não encontrava Anny para devolvê-lo, cuidadosamente o folheei para não desmarcar a pagina na qual ela estava lendo, pode parecer loucura minha, ou mesmo uma ilusão, mas aqueles cabelos ensolarados me fazem ver o brilho das estrelas durante a tarde clara e fria. Era uma quarta-feira, eu estava andando pelo parque da alvorada, quando avistei de longe um brilho forte, pouco iluminado, mas muito bem destacado entre chapéus e lenços de outras pessoas, não pude acreditar no que vera, era Anny -“Este amor em botão, depois de amadurecer com o hálito do verão, pode se mostrar uma bela flor quando nos encontrarmos novamente.” Disse Julieta- corri com o livro na maleta tropeçando entre meus pés até chegar à moça, que estava em trajes estranhos, diferentes do que a vi pela primeira vez, não pude não reparar que já não tinha o sorriso de antes, - será que foi pela “perca” de seu livro? Não posso perguntar sobre isso, é a segunda vez que a vejo-. “_Boa tarde moça! – disse com esperanças” ela rapidamente se virou assustada “_Oh! Boa tarde! – respondeu ligeiramente secando ao redor de seus olhos o que seriam supostamente lágrimas- não esperava encontra-lo novamente neste lugar, perdoe meus modos não estou bem.” Seria o inconveniente pergunta-la por que, mas seus olhos claros suplicavam um tanto de conversa para o seu desabafo, tomei coragem e disse “_Mas ora! Sente-se comigo, vamos conversar se a senhorita quiser é claro! –logo aqueles olhos voltaram a brilhar e ela se sentou comigo no mesmo banco onde tudo começou- Desculpe-me ser chato, não é o caso de me responder, mas o que o faz esses teus olhos chorarem?” Logo se apagaram novamente o brilho e palavras soluçadas começaram a sair daquela boca que me fazia pensar luxuriosamente em cala-la com um beijo, mas um rapaz de modos como eu jamais se aproveitaria de uma linda mulher ainda mais em um estado abatido, por um segundo parou de soluçar e calou-se. Após me fitar de cima em baixo disse claramente “_O que será de mim agora? - em um tom que fazia parecer desonrada, ou algo do tipo, após uma breve pausa voltou a dizer- Uma moça na qual não tem nada além de beleza, a impureza tomou conta de meu corpo, tudo para fazer algo que acaba de uma hora para outra, faz dois meses que meus pais faleceram – Nessa hora tomei em consciência que faziam dois meses que não a via, que esse tempo para mim passou num piscar de olhos, pois minha saudade era amena por causa do simples livro- e assim tudo se revirou em minha vida, estou em um corpo impuro, já não tenho mais emprego, estou desesperada!” Meus olhos arregalados a fitavam profundamente, senti fechar minha boca, pois sem perceber abri com as palavras da moça, não podia ver nela impureza alguma, e sim o sofrimento da morte de seus pais, nada podia falar a não ser da continuidade em sua história “_És sozinha de irmãos?” perguntei “_Sim!”- respondeu. Logo me veio à junção de suas palavras “corpo impuro” com uma “roupa estranha” que só cortesãs usavam, o desespero tomou conta de meu coração, ela me fitava com olhar de desejo e ao mesmo tempo de remorso, então perguntei “_Por acaso estás sendo cortesã?” Ela abaixou a cabeça e começou a lamentar-se com os olhos, novamente me fitou e respondeu “_Não é o que parece? Não está tão na cara assim?”. Logo meu coração disparou senti desmoronar um pedaço de mim, quando me deparei ela estava a uns passos longe de mim então rapidamente me levantei e gritei “_Anny! Espere!” ela parou, mas não se virou, corri poucos passos até ela quando cheguei ela disse cochichando “_Por favor, não grite meu nome assim, sou uma cortesã e pode ser feio isso para um senhor de sua classe. Chame-me de Clarisse quando estivermos em público, esse é meu nome de trabalho. Mas vejo que tem algo a me dizer?!” Assim que me deu a oportunidade abri minha maleta e peguei o livro que estava comigo, uma parte dela que tinha em mim foi-se embora naquele momento que disse “_Pegue! Deixou comigo há dois meses, queria lhe devolver, por isso lhe gritei “Clarisse”!” Ela pegou e se virou com classe andou até sumir o brilho de seus cabelos ao sol. Naquela noite meus sonos foram trocados em lugar de insônia.
Que o brilho de seus cabelos não se apague, oh doce menina Anny, ou Clarisse, como preferir. Mais uma vez você me deu lembranças a passar neste papel antigo. Onde brilhas agora pequena estrela?“
— Palavras soluçadas começaram a sair daquela boca que me fazia pensar luxuriosamente em cala-la com um beijo, cartas de John - Joyce Colaço